24/02/2017

Avenida Presidente Vargas

Toda grande cidade precisa de uma grande avenida, certo? No Rio de Janeiro uma só não bastou, a grandiosidade desta cidade, guardava algo ainda mais retumbante! Após a criação da Avenida Central de Pereira Passos, posteriormente Rio Branco, foi idealizada e construída a Avenida Presidente Vargas. À época, foi considerada faraônica pois derrubou quadras inteiras para a passagem de suas largas pistas, sumiu com ruas, foi radical. Destruiu, inclusive, a original Praça Onze que, até então, sediava os novatos desfiles das escolas de samba do Rio. A ideia era ligar a Avenida do Mangue até o Cais dos Mineiros, hoje Arsenal de Marinha, e o projeto foi idealizado e realizado durante o governo de Henrique de Toledo Dodsworth.

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Demolições, premissa da cidade

Para a passagem desta gigantesca Avenida, foram demolidos 525 prédios, muitas ruas antigas como a Senador Eusébio, da Foto, simplesmente deixaram de figurar nos mapas da cidade. Para as pistas laterais foram aproveitadas as Ruas General Câmara (lado ímpar) e Rua de São Pedro (lado par), as pistas centrais é que foram as responsáveis pela grande derrubada ao estilo Pereira Passos. Entre as mais de 500 construções postas abaixo, estavam quatro igrejas: São Pedro dos Clérigos, São Domingos, Bom Jesus do Calvário e NªSª da Conceição. O nome da Avenida foi dado em homenagem ao então presidente da República, Getúlio Vargas.




Canal do Mangue em 1919Para se entender a importância da Avenida Presidente Vargas é importante entender a relevância do Canal do Mangue, construído no século XIX. Na verdade, desde o tempo de Dom João VI já era pensada a construção de um canal navegável que ligasse o mar ao Rocio Pequeno, atual Praça Onze de Julho. Finalmente em 1857, foi iniciada a obra do Canal do Mangue que, à época, era considerada a maior obra de saneamento do Rio de Janeiro. A construção da Avenida Presidente Vargas surgiu com objetivo de ligar pontos extremos do centro carioca.

Antes das Obras da Avenida Presidente Vargas

Durante as obras de abertura da grande avenida carioca, que passou a ter cerca de 4 km, o carnaval carioca utilizou as instalações do estádio de São Januário, do Vasco da Gama, para realizar os desfiles carnavalescos. A Avenida Presidente Vargas foi finalmente inaugurada no dia 7 de setembro de 1944. Nas fotos abaixo é possível entender o que mudou na cidade desde o momento do início das obras até a sua inauguração. Também serão mostradas construções que foram demolidas para a passagem da Avenida, como a Igreja São Pedro.

Presidente Vargas ante das obras

A breve história dos Gaffrée e Guinle e a energia elétrica do Rio de Janeiro


Quem acha que Gaffrée e Guinle é apenas o Hospital Universitário da UniRio, engana-se. A História desses dois nomes e personagens é muito interessante e relevante para os cidadãos cariocas e sua história de construção da realidade de hoje. No início do século XX, quando a energia elétrica estava sendo apenas começada nos logradouros do centro do Rio de Janeiro e adjacências, além de residências da cidade, havia a interesses na exploração dos novos serviços.
Nas ruas,a exclusividade para iluminação pública e quais quer outro serviços público, era, por decreto imperial,de exclusividade da SAG (Société Anonyme du Gaz). Após a república ser instalada na Capital, e a nova constituição de 1891, as concessões foram refeitas e passaram a dominar sistemas elétricos de ferro carris (bondes) movidos à eletricidade e iluminação das ruas.

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Gaffrée e Guinle e a atuação no Porto de Santos

Candido Graffrée e Eduardo Palassim Guinle eram dois homens voltados ao empreendedorismo e às novas tecnologias da época. Ganharam concessões para explorar hidroelétricas, que começavam a despontar na cidade para a geração de energia. Eles já tinham, antes de chegar ao rio, o direito de ceder energia para a Companhia Docas de Santos.

História do Rio - Copacabana à noite década de 20Ao chegar ao Rio de Janeiro, tiveram a dura concorrência da canadense Light and Power. Em 1909, eles criaram então a CBEE (Companhia Brasileira de Energia Elétrica) e passaram a fazer frente à Light e outros grupos de capital estrangeiro. A briga entre as empresas dos Gaffrée e Guinle foram parar na justiça e após inúmeras vezes frente ao tribunal, finalmente, em 1915, a CBEE encerrou suas atividades.
Além da exploração da usinas para geração de energia, eles atuavam em outras frentes para a construção do sistema elétrico nacional. Ao se associarem a Adolf Aschoff, um engenheiro americano, fundaram assim a Aschoff e Guinle, que tinha objetivo de importar material elétrico do exterior. Após a morte de Aschoff em 1904, os Guinle e Cia. Deram continuidade ao trabalho. Assim iniciava-se a história da General Electric no território nacional e na história do Rio de Janeiro.

Grande atuação em Niterói

A empresa tinha maior atuação em Niterói, onde faziam a iluminação das ruas por meio de 3000 lâmpadas incandescentes. A Briga entre o grupo Brasileiro e a Light também permeava o transporte público, já que à época, já começava a substituição dos ferros carris movidos a força animal e a vapor por composições que rodavam com energia elétrica.

O Brasil sempre teve imensa vocação de valorizar o conteúdo estrangeiro em detrimento ao produzido no país. Não sou ufanista, tampouco penso que aqui tudo seja possível. Mas, o engajamento de grupos nacionais que visavam a melhoria dos serviços urbanos e que contribuíram fortemente para evolução do país poderiam ser mais valorizados, inclusive sendo do conhecimento do público. Poucos sabem das histórias dos Gaffrée e Guinle e da história do Rio. Por ajuda deles, hoje, é possível você estar lendo isto por meio de um aparelho elétrico.